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:: Segunda-feira, Novembro 29, 2010 ::
:: Segunda-feira, Novembro 15, 2010 ::Fading...
Você vai desaparecendo da vida da pessoa.
Sai do álbum do Orkut, sai do Favoritos no MSN, sai do porta retrato. Sai do guarda-roupa e da estante. Sai do Facebook, dos posts no Fotolog, do Tweets, da posição "Amor" na agenda do celular, dos planos de viagem,das escolhas pro nome dos filhos, do passeio no domingo.
Quando você vê, está sozinho. Você deixa de ser uma peça fundamental no universo de uma pessoa pra viver apenas no seu universo.
Só te resta a família, mas família é família.
Filhos sao feitos para serem separados das mães e dos pais.
E então, inicia-se o processo. Tem gosto de deja vu, mas é totalmente diferente.
E a jangada de pedra se afasta do restante da Europa.
Hello, my dear old friend, I'm back.
.: Devon :.3:09 PM
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:: Sexta-feira, Setembro 03, 2010 ::Quiz
Não que eu não tenho (um monte) de coisas pra fazer, mas vou postar aqui meus resultados dos testes que eu estou fazendo.
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Hail, café!
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Só 86?
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Pior que tem que ser em inglês...
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Bring it on, Walking Deads.
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Tô valendo mais nada...
.: Devon :.7:44 PM
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D&W
.: Devon :.1:55 PM
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15
15 ANOS
(Ira)
Quando me sinto assim
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
Que se apanha chorando
Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
Que se apanha chorando
Vivendo e não aprendendo
Eis homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro
Seu amor hoje
Me alimentará amanhã
Eis o homem
.: Devon :.10:06 AM
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:: Domingo, Agosto 22, 2010 ::FOREVER ALONE
Why am I still trying?
I was born to be alone.
.: Devon :.9:36 AM
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:: Quinta-feira, Julho 22, 2010 ::PORRA, GAMES!
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PORRA, GAMES!
.: Devon :.1:27 AM
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:: Sexta-feira, Julho 16, 2010 ::Johnny Liver
Who the fuck am I?
Eu prefiro ter um filho viado do que um filho computador lento.
Ao som de Bad Romance, Lady GaGa.
Na escola, pensando um monte de coisas...
Na minha vida, no meu relacionamento. Acabei de ter mais uma dessas conversas delicadas.
Mas já tem um tempo que estou pensando em escrever sobre crise de identidade.
Sinceramente, fica pruma próxima.
Não sei se esse post será engraçadinho, mas funny story, é nos momentos em que eu estou mais triste que sou mais engraçadinho nesse blog. Vai entender.
Preguiça de ficar corrigindo texto, então se sair errado, foda-se. Computador lento não ajuda.
Por que eu tenho essa mania de acreditar que tudo vai dar certo até o último minuto? De levar até o final? No fim, as mulheres sempre nos deixam. Acho que o fato é que os homens são conformados, acomodados. Nada é muito ruim pra nós. E qualquer problema se resolve com uma trepada fora de casa, com alguma prostituta com menos de 16 anos. Infelizmente isso não rola comigo. A tendência de caras como eu, nessas situações é, ou se matar ou se tornar viado. E eu prefiro ter um filho viado do que um filho viado.
Se matar também não é uma opção. Dá muito trabalho e eu já passei dessa fase. Então, não sei... eu acho que eu vou just keep on livin’. Keep living, Johnny Liver. Foda é que aparecem situações onde eu sei que se eu terminasse naquele momento, eu teria uma boa justificativa pra contar pra mim o resto da vida.
Sono maldito. Meu horário está meio confuso. Meu relógio biológico parece o do Tyler Durden.
É muito bizarro. Eu passo a madrugada no meu quarto, assistindo séries ou coisas do gênero, e então, quando eu saio pra abrir a escola, isso as oito da matina, parece que eu estou sonhando, tudo muito claro, muito quente, minhas pernas, dormentes com a madruga na cadeira, reclamam do movimento. And I kind dig for it. Um sonho, uma viagem sem droga, e com 90% de controle do corpo. Foi numa dessas viagens que eu pensei no lance do Who the fuck am I?
Tenho que sair pra comprar coisas e fumar um cigarro.
Já volto, não saia daí.
Rááááá, pegadinha do Malandro.
Engraçado que, livros, pra escrever, demoro dez horas pra completar uma página. No blog, em 10 minutos, já deu.
Mais GaGa. E um cigarro de verdade agora.
Acabei indo jantar...
Ontem eu comecei a tentar fazer um vlog e... nah. Não tenho carisma diante da câmera. Além de ser uma webcam mixuruca.
Minha namorada já confirmou que virá pra cá nessa sexta. Tsc, toda aquela tristeza evaporou. O foda é a distância, é o tempo. Mas uma coisa é engraçada. No começo da relação foi combinado que cada um teria seu tempo. Ela até reclamava dessa coisa de querer fazer tudo junto. Tsc, as pessoas reclamam das coisas, mas se acostumam. Quando ficam sem, reclamam mais ainda.
Mas apesar disso, tentamos mudar. Tentamos ser melhor, buscar o equilíbrio. Mas às vezes é tão difícil. Não sei se sou um bom namorado. Mas por outro lado, vejo tantos caras ruins por aí. Não sei qual é o padrão. Qual é o certo. Talvez eu deva buscar as respostas em Cristo...
Rááááá!
A loca, fã master da GaGa, ui.
Bagui bem produzido da porra. É como eu estava falando outro dia: tudo que é pop, tende a ser ruim, mas tudo que é overpop, master pop from hell, deve ter alguma coisa que preste. Exemplo: Restart/Lady GaGa. Pop, horrível/overpop bão pra cacete.
Ah, comecei a assistir Dexter também. Muito interessante.
Cabe no me post sobre crise de personalidade e distúrbios da mente.
Bom, o medo dessa birosca travar e eu perder o texto é grande, então vou dividir o texto em capítulos.
FIM DO CAPÍTULO 1
.: Devon :.8:58 PM
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:: Quinta-feira, Julho 15, 2010 ::Clarice demolish
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Clarice isola tudo que não lhe é familiar. Não é letrada, mas sabe que tudo que pode ser destruído, deve ser destruído. Ela possui a obsessão de desconstruir tudo que não lhe pertence, tudo que ela não conhece.
Ela não sente ciúme, porque toma aquela(e) (ou aquilo) que está diante do seu objeto de desejo, e analisa-o, e identifica-o, e define-o. Assim, ela encontra os seus pontos fracos e os seus defeitos, os seus pontos fortes e as suas qualidades.
Mas os caminhos da mente estão excessivamente interligados. E, com isso, Clarice sempre acha um bom argumento para justificar os pontos fracos e os defeitos alheios por meio dos pontos fortes e das qualidades. Como uma boa e maquiavélica estrategista, ela encurrala o “opositor”, não lhe dá saída nem chance de se defender ou se explicar. E ninguém duvida de Clarice, pois ela tem muita experiência em localizar e isolar esses pontos.
Ela destrói, ela desconstrói; é o que ela melhor sabe fazer, é a única coisa que ela sabe fazer. Porque ela não acredita na capacidade dela de acreditar nas pessoas. Ela escolheu não ver o lado positivo. E de tanto não ver, desaprendeu. E nisso, ela se isola de todos, pois todos, obviamente, são possuidores desses tais pontos identificáveis. Basta uma mirada mais detalhada para percebermos.
Mas seus milhões de anos, presentes em cada célula, anseiam por atrito; clamam pela convivência, pelo coletivo. Por isso, Clarice vive num constante e contraditório círculo vicioso: a célula pede, Clarice cede, entra em contato, se relaciona, cria laços, não acredita, analisa, localiza, critica, isola, e se isola.
Essa foi a forma que Clarice encontrou de se defender do externo. Descrente de si mesma, não se vê capaz de enfrentar qualquer aspereza. Ela ataca por todos os lados, ela se ataca, se chicoteia, se corta, se mutila, numa tentativa de se sentir vivente e forte. Ela não gosta do que vê no espelho, vê uma pessoa fraca, insegura, falha, defeituosa, seja lá qual for a sua aparência.
Seus relacionamentos são feitos de conveniência por parte do seu objeto de desejo. Clarice não acredita nele(a). Ela acredita que ele(a) não acredita nela, que ninguém acredita nela, e que todos a odeiam. Mas ela quer que seja assim. Assim, ela acredita que pode demarcar uma linha bem clara entre ela e os outros. Assim, é possível desconstruir. Ela se diz indivíduo, ela preza por essa indivisibilidade. Não divide nada, nem a ela mesma.
Clarice não escapa nem de si. Clarice comete suicídios homeopáticos. Clarice gosta de tudo isso, porque se acostumou a se apropriar dessa forma de tudo que não lhe pertence. Pois ao isolar e desconstruir a tudo que faz que com que ela se sinta ameaçada, ao conhecer tudo sobre o seu “adversário”, ela acredita que se apropria dele, mesmo que o seu “adversário” seja a sua alegria. Essa foi a forma que Clarice encontrou de controlar o seu mundo. E torpemente ela acredita que isso seja possível. Torpemente, porque Clarice sabe que isso tudo vai levá-la a nada e coisa alguma; que a sua vida é um vazio absoluto; e que, mais cedo ou mais tarde, ela vai se dar conta de que ela não existe, não vai ser lembrada por ninguém e não vai deixar nada pra posteridade.
Texto: Fabiana Rangel
Desenho: Devon
.: Devon :.3:23 PM
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:: Sexta-feira, Junho 18, 2010 ::Chaos reigns.
Eu me incomodo com tudo que não é familiar.
Acendo um cigarro. Dor de cabeça. Olhos cansados. Altas da madrugada. Vai-se a noite. Amanhã, ou mais tarde, acordar cedo. Banco. Escola. Rotina.
Por que me incomoda? Uma vida que não é minha. Mas já estava lá, há tanto.
Pois isso não me pertence. Não faz parte do meu mundo. Mas deixe o egoísmo de lado. Ceda. É cedo.
Caótico. O caos reina.
Memorable quote
.: Devon :.5:12 AM
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:: Segunda-feira, Junho 14, 2010 ::Ensaio sobre o desapego
E a tatuagem nem sequer cicatrizou.
Mas ei, menino, como és tolo. Acredita mesmo que desapegar-se é possível? Negar-te tua vida seria mais plausível. Não há retorno. Você, que construiu seu futuro com essa moça, acha que o fim seria o fim? Não seria. Não será. Essa é a triste notícia. A boa é que a cada dia vocês provam que é uma fortaleza sólida. E a cada dia é colocado mais um tijolo na base.
De todos os sentimentos que experimentastes, esse é o mais intenso, esse é o mais puro. Mas cuidado, cuide do que ama. Pois és eternamente responsável por aquilo que cativas. Você não deu seu coração, você o trocou pelo dela. Cuide do dela assim como quer que ela cuide do seu. Pra que tanto orgulho? Pra que achar que um dia conseguirás se desapegar? Não tome como experiência seus outros amores. Você nunca construiu algo tão forte.
E sim, continuo dizendo que conto de fadas só existe na película, na literatura. Pois conto de fadas não mostra o que há depois do “felizes para sempre”. E felicidade é para os fracos. Felicidade é fugaz, é ilusão. Você tem plenitude. Tem esperança. Você se sente completo, a todo instante. Conserve isso e você perceberá que felicidade é mais que um conceito que você pode sentir ou deixar de sentir. Você não terá escolha. Conserve isso e você jamais poderá dizer: não sou feliz. É contraditório. Mas você entenderá.
Mas saiba que tentar desapegar-se é um esforço inútil quando se ama. E só eu sei o quanto você ama essa moça.
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E a tatuagem nem sequer cicatrizou e você já quer fazer outra...
.: Devon :.1:26 AM
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:: Quarta-feira, Maio 05, 2010 ::Shiro & Kuro
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Marcado na pele. Imortalizado. Certeza absoluta que é para sempre. E se um dia, por algum motivo, a vida nos separar, não me importo de tê-la marcado em mim, pois sei que pode ser sete dias, sete meses, anos ou décadas, a importância que ela tem pra mim é eterna.
Preto & Branco. Shiro & Kuro. Black & White. Ying & Yang.
Dois garotos órfãos que se cuidam e se complementam. Um não vive sem o outro.
Taiyo Matsumoto criou uma relação ying-yang com esses dois irmãos. Kuro, que significa Preto em japonês, é o mais velho, o mais responsável e sério. Shiro (Branco) é o mais novo, o mais alegre e brincalhão.
Mas, somente descobrem o quanto têm um do outro quando precisam se separar. É quando Kuro descobre o quão insano ele pode ser sem Shiro, e o quão triste Shiro fica sem Kuro.
Eles se complementam, eles se cuidam.
Somos uma fortaleza. Um casal de amigos e amantes.
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...
Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...
Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...
Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...
Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...
Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...
Ah, Fabiana, ah, minha menina...
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.: Devon :.1:04 PM
Comentários:
:: Segunda-feira, Maio 03, 2010 ::Bittersweet
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XD
.: Devon :.12:42 AM
Comentários:
:: Quarta-feira, Abril 28, 2010 ::About dragons and warriors I.
E o dragão, ao perceber a entrega da guerreira, apaga suas labaredas e abre passagem, para que a guerreira obtenha o tesouro. Um diamante chamado vida, dividido em cem pedaços. Ao perceber a alegria da guerreira, o dragão, antes sem outro objetivo além de esconder o tesouro, repensa sua existência. Fascinado com a energia da guerreira, o dragão, pobre monstro mitológico, deseja compartilhar o tesouro. "Guerreira", diz o dragão, "tu, tão poderosa, há de ficar aqui, nessa masmorra, longe dos bobos da corte, e dividir esse tão raro tesouro comigo?"
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♥ (coraçãozinho de viado)
.: Devon :.5:23 PM
Comentários:
:: Quinta-feira, Abril 01, 2010 ::Following the White Rabbit.
E ele passa, imitando seus conceitos, seu estilo.
There’s no escape. Ele passa e se volta para a vida, para o mundo.
No fim, a vida passará. Nada. Nada.
Uma vida assim, assim, com alguns momentos de felicidade suprema
E tentativas em vão. O que mais querem de mim?
Sou apenas um. Pintam-me de egoísta.
Ah, tão cansado. Tão cansado. Imitando seus conceitos, seu estilo.
E quanto maior a ascensão, maior a queda.
I’ll follow the White Rabbit. And I’m not coming back.
Maldito cristianismo que nos coloca temerosos.
Maldita incerteza da morte.
Maldito apego a vida.
Maldito seja você e eu, eles e nós.
Desapegue-se, esqueça-me, deixe-me. Mate-me.
Pois nesse mundo de espelhos, tudo reflete.
E eu estou cansado.
Desapegar-me-ei do amor, da felicidade, da vida.
O que me resta será apenas uma parca representação das minhas obras.
Filho relativamente dedicado, namorado de veras apaixonado, aluno acima da média.
O que te levou a fazer isso, menino?
Ah, queria ter dinheiro para congelar meu cérebro.
E ser ressuscitado em um mundo onde só houvesse cibórgues.
Cérebro humano, corpo artificial. Sem coração.
Sem lágrimas, sem dor.
Retiro-me.
.: Devon :.3:15 PM
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Happy Birthday
A garota do trem
(Marcel Bittencourt)
Eu estava na plataforma esperando o próximo trem sentindo Guaianases chegar. Eu estava ouvindo Read My Mind no music player do meu celular. Um tanto arriscado, nos dias de hoje. Pensava na minha situação financeira, que não estava indo muito bem, mas fazer o quê. A culpa era, de fato, minha, que não fazia muita coisa para mudar isso. O assunto passou para minha vida em geral. Mais especificamente, o quão vazia era minha vida. E se eu me jogasse na frente do trem? Um espetáculo e tanto. Mas não queria quebrar meu celular. Tinha custado caro e eu sou muito apegado a essas parafernálias tecnológicas. Mas eu vivia uma vida medíocre, sem grandes ambições, sem um grande amor. Corpos passaram pelo meu, mas nada que valesse a pena lembrar naquele momento. Foi então que eu percebi que uma garota próxima a mim. Garota, sim... Tenho síndrome de Peter Pan, porque ela tinha cara de uns vinte e três a vinte e seis anos... Já era mulher, mas pra mim, menos de quarenta, garota. Ao som de Chico Buarque (sou bem eclético), comecei a observá-la. Destacava-se do resto exatamente por sua simplicidade. Em um mundo onde a vaidade reinava, um rosto sem maquiagem, uma blusa sem decote ou pernas escondidas era algo que realmente me chamava atenção. Ela olhou pra mim, surpresa com o fato de eu estar encarando-a e virou o rosto. Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem. Mas, por algum motivo, não conseguia parar de olhar pra ela. Tsc. O trem havia chegado e entramos. Era sábado e não havia milhões de pessoas se acotovelando, travando batalhas titânicas por um maldito assento. Esperei ela sentar e sentei em um banco na sua frente. Nesse ponto, ela já estava bastante incomodada com a situação. Olhou para um lado, depois para outro, procurando um outro lugar para se sentar, mas desistiu da idéia. Creio que ela achou que seria muita bandeira, sei lá... Bom, tenho certeza que não lançava-lhe olhares cobiçosos... Pelo contrário, era um olhar curioso. Fiquei realmente curioso pra saber por onde ela já esteve. O cenho franzido, como se tivesse sido forçada a ser dura durante a vida. Tão diferente das ninfetinhas que sorriam e gritavam e gargalhavam e comentavam sobre suas últimas empreitadas sexuais e como seus supervisores eram uns escrotos e como elas conseguiriam uma promoção na operação caso aceitassem os convites libidinosos dos seus gestores e essa vida de telemarketing que é igual diarréia: todo mundo já teve a desagradável experiência de passar por isso. E nos fones, Lou Reed dizia Hey babe, take a walk on the wild side. A saída perfeita para fugir do mundo, especialmente eficiente em transportes públicos: ler. A garota tirou um livro da mochila e começou a ler. Saramago. Jangada de Pedra. Bom, por algum motivo, tinha certeza de que não seria Crepúsculo ou Paulo Coelho. Ela diferenciava-se da massa. Se eu pudesse enxergar a aura das pessoas, ali, mesmo não estando o vagão lotado, eu veria um borrão cinza e um pontinho azul. Ela seria o pontinho azul. Comecei a analisar os detalhes. Peguei minhas coisas, fui embora, não queria mais voltar, eu nunca quis presenciar o fim. Minha “ecleticidade” chocava até os mais puros. Sua mochila era grande e parecia pesada. Final de semana... Para onde ela estaria indo? Para São Paulo? Trabalho? Passeio? Encontrar no namorado? A namorada? Não havia aliança em sua mão. Na verdade, nem anel. Vaidade é para os fracos. O que tinha na mochila? Roupas? Livros? Um revólver calibre '38? Era a cara dela, levantar meter cinco balas em cinco lixos humanos e depois uma azeitona no própria cabeça. Bom, pelo menos eu gostaria de fazer algo assim. Pelo menos o celular ficaria intacto. Ou não, um maldito ladrão poderia roubá-lo enquanto eu estivesse inerte no chão. Sei lá, hoje em dia se vê de tudo. Esse mundo é uma Roma imperial moderna. Leões e cristãos. Brasil, o maior Coliseu da terra. Um estojo com itens de higiene como escova de dentes, absorvente, creme dental, pente e coisas assim? Ela parecia ser asseada, independentemente de sua simplicidade. Um maço de cigarros, talvez. Será que ela fuma? Eu estava com uma vontade louca de fumar. Maldita lei anti-fumo, que não permitia mais se fumar nas estações de trem. Roupas, definitivamente roupas. Ela estava indo encontrar o namorado. E a namorada. Que vida. Será que ela usava lingerie provocante? Uma calcinha de renda preta, um chicotinho de couro? Dominadora, talvez. Eu deveria me levantar e ir sentar-me ao lado dela. Qual seu nome? Pela idade, provavelmente Fernanda, Fabiana, Mariana, Talita ou Bárbara. Mas antes que eu tomasse qualquer decisão, um maldito obeso com cara de tarado sentou-se ao lado dela. Aqueles braços roliços, roçando “sem querer” contra os dela. Se eu tivesse uma katana, deceparia aqueles dois objetos nojentos que ele usava para levar suas mãos, segurando um Super Big Mac, à boca. Percebi que ela também se sentiu enojada. Eu queria aquele '38 pra enfiar as seis balas na barriga do gorducho. Tire suas mãos da minha garota, seu porco! Minha garota, rá, essa é boa. Sente-se aqui do meu lado, Fernanda. Vamos falar sobre literatura, cinema, música e a política mundial. Sabe, Fabiana, acho que eu te amo. Diga-me, Mariana, você quer ser minha namorada? Que notícia incrível, Talita, você está esperando um filho meu? Cuide dos nossos netos após minha morte, minha querida Bárbara. Uma família, uma vida. Ter motivos para acordar de manhã, enfrentar o mundo, juntar dinheiro, casa, carro, filhos, cachorro, gato, TV de 42 polegadas, home teather, X-Box 360. E o que ela está achando das peripécias de Joana Carda? Teria tido dificuldades para se acostumar ao estilo do Saramago ou, assim como eu, achou tranquilo? O que mais ela lê? Sartre? Maquiavel? Sêneca? Cristã? Agnóstica? Atéia? Republicana? De esquerda? Anarquistas? Mãe? Virgem? Bissexual? Diabética? Desenhista? Quem é você, garota? O que eles te fizeram? Senta aqui e me conta. Eu te protegerei. Minha Alabama. Bom, agora que encontrei o amor da minha vida, nada mais me falta. Ficaremos ricos juntos. Quando a 3ª Guerra Mundial estourar, seremos os únicos sobreviventes. Mas faremos diferente de Adão e Eva. Nossos filhos serão puros, serão ateístas. Criaremos uma sociedade onde não será necessário dominar no mínimo quatro artes marciais para se conseguir sentar no trem. Onde não existirá plaquinhas de Lei Estadual Nº 12.225/06. Você chamará meu nome enquanto dorme e eu ter abraçarei, velando seu sono. Uma casa com gazebo, limonada no portão, seriados até de madrugada. Um café e planos de fazer um filme. Pizza de sexta-feira e sexo embaixo do edredom. Fumaremos deitados na cama enquanto você me conta como foi seu dia. Uma bolha mágica, protegida pelos maiores arcanos de Devon. Ciúmes das nossas relações anteriores. Quanta bobagem, é só você que eu amo, garota. Vamos descer na próxima estação e ir no cinema. Vamos comer pipoca e tomar Coca-Cola. Deixe seus namorados pra lá, temos que estudar pra prova. Tantas coisas para fazermos juntos, e você aí, lendo Jangada de Pedra. Bom, é aqui que eu desço. Espero que você fique bem. Beijos e saiba que sempre te amarei, minha garota do trem.
.: Devon :.2:55 PM
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